Pense nisso...

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Vivendo e aprendendo


Um autista sente-se mais ou menos como alguém que usa um aparelho auditivo antigo: o aparelho amplifica todos os sons, desde a voz de quem está na frente dele até latidos, roncos de motocicletas, buzinas etc. 
Quem usa um aparelho assim sabe como é difícil se concentrar na conversa porque todos os sons chegam no mesmo volume e são difíceis de serem separados. 
Muitos usuários acabam deixando o aparelho desligado para não se irritarem.
 É como quando você conversa no Skype ou em um viva-voz e tem muita gente do outro lado. Já sentiu a confusão que fica?
 Numa conversa ao vivo nosso cérebro faz o ouvido focar no som que interessa e jogar os outros para um segundo plano, mas o aparelho auditivo antigo amplifica tudo igual. Os novos já estão aprendendo e são mais seletivos. 
 Quando você lê um livro, com seu filhinho se mexendo em seu colo e numa sala com gente conversando, a TV ligada e a luz de um anúncio luminoso piscante da rua refletindo no vidro da janela, somente o livro estará no foco de sua atenção.
 O contato de sua pele com seu filho, as conversas, a música, a TV ou o luminoso da loja em frente são neutralizados. 
Você nem percebe esses estímulos. 
 O autista é diferente.
 Tudo isso está chegando até ele na mesma proporção e com a mesma importância. 
Seu cérebro é incapaz de focar em uma só e ele acabará enlouquecendo se não encontrar alguma coisa mais forte para prender sua atenção.
 Para isso ele produz seus próprios sons e movimentos para tentar fazer com que estes se sobreponham aos estímulos externos.
 E então se fecha em seu mundo interior. 
 Minha mãe chegou à conclusão que comigo também é assim que a coisa funciona.

VICTINHO


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