Pense nisso...

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sábado, 25 de junho de 2011


O menino que falava pouco

No conto de Tino Freitas, conhecemos a história de um menino curioso e alegre, mas que misteriosamente não gostava de falar. Confira

O menino falava pouco. Preferia abrir a boca num riso largo que desabrochava devagar, perfumado. Enfeitando os dias de quem chegasse perto. Curioso, engolia o mundo com o olhar. Rapidinho. Como quem devora um sanduíche bem gostoso.


O menino falava pouco. Diziam por lá que tinha a língua preguiçosa.

Suas pernas, ao contrário, eram pura energia. Um descuido do pai e o menino sumia. Um segundo depois ele voltava. Rapidinho. Na velocidade do pensamento.

Gostava de subir em árvores,o menino que falava pouco. Prestava atenção em tudo.

Fechava os olhos para ouvir melhor. Os pássaros: Bem-te-vi. O vento: veeeemmmmm. O pai: – Vai, filho. Pode subir. Eu estou aqui, bem pertinho! Naquele dia descobriu o rio e quis conversar com os peixes.

Imaginava que seria um papo diferente. O pai comprou um barco. Foram juntos pescar uma aventura. E o menino que falava pouco sorriu em silêncio por horas. Paciência, peixes, pai.

De volta à terra, descansaram à sombra de uma mangueira. O sol deitou seu alaranjado no rio e o menino que falava pouco sentiu fome.

Um riso lento e largo desabrochou assim que as pernas descobriram o tronco da frondosa árvore. O menino falava pouco. E quando falava, escolhia as palavras como quem escolhe o melhor fruto para matar a fome. Ali, ao desmanchar do dia, pendurado num galho, com a boca cheia de manga e amor, encheu o peito de ar e gritou:


- Você é o melhor pai do mundo.
E o tempo parou num abraço.
Para Miguel.


Tino Freitas



Não podemos fazer tudo imediatamente, mas podemos fazer alguma coisa já.

Calvin Coolidge

maria tereza cichelli

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